acabei de ver o divertido “Xixi no banho” que o Fernando Sanches fez para a SOS Mata Atlântica. o alerta do filme é grave: 12 litros de água a cada vez que se dá uma descarga é coisa demais mesmo, principalmente quando nos damos conta que uma grande parte da população mundial simplesmente não tem acesso ao precioso líquido. claro que a questão da água envolve muito mais interesses do que a vã filosofia imagina, afinal não seria difícil solucionar o problema, o que é complicado é acabar com a máfia que lucra com a falta dela no planeta e o nordeste do Brasil é só um dos vários exemplos disso. de qualquer forma, com atitudes simples podemos fazer o que está ao nosso alcance para honrar o que a Terra nos oferece.
os franceses tem o hábito de não dar a descarga a cada vez que usam o sanitário, mas confesso que fiquei incomodada quando uma hóspede reproduziu isso aqui em casa. quando eu disse que ela poderia dar a descarga sempre que usasse o banheiro ela me deu uma aula de quanto eu economizaria em euros com esse gesto. mas a francesa não via isso do ponto de vista ecológico, era só a questão da economia monetária. a gente deveria ter a consciência dos dois: a abundância pode ser de falta de dinheiro e de água também…
e se não utilizamos a água com sobriedade, o que dizer do esgoto que não é tratado e polui tragicamente os nossos rios? nesses dias de verão costumamos reclamar que o Hudson fede, mas ele é apenas um reflexo do nosso lado que cheira mal, o rio está graciosamente sustentando o que não tratamos antes de eliminarmos em seu leito. eu imagino o que seria uma revolta do Hudson vomitando a nossa podridão, não haveria quem se salvasse! se pimenta nos olhos dos outros é refresco, a merda no rio alheio fere o nosso olfato e esse é o efeito menos nocivo.
ainda assim o Hudson consegue ser inspirador, principalmente quando anoitece, Edgar Allan Poe sabia.
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